Sábado, Abril 30, 2005

a linhagem

o sábado estava assando e ai eu pensei, ai ouvi no meio do anuncio do produto de limpeza de uma kombi que foi encontrado na africa, numa escavação dessas por ai um fóssil não identificado de alguma coisa que vagamente se assemelha à inscricação de um coração atravessado por uma flexa.
dessa maneira até mesmo os mortos podem deixar herdeiros.

Sábado, Abril 02, 2005

bilhete suicida

adeus mundo cruel. vou nessa. nos vemos por ai.

Sexta-feira, Abril 01, 2005

desconstrução

passarinho jovem na gaiola, dia de sol, notícias sobre o papa. o enterro do papa vai enterrar a schiavo.
o passarinho estava treinando as asas, pobre idiota.
mas ai a forma e o conteúdo foram cremados juntos, um túmulo só para o acaso e para o destino.
lavei o tempo, incrementei a lápide mas nada me lembrou mais você.
a tribo nua.
as roupas divinas que cairam sobre nós.
pornografia centripeta.

abriu a cabeça

na iminência de atravessar a rua foi atingido por uma escada amarrada no topo de um fusca. olhou para a própria testa e viu que tinha sangue. passou uma mulher e disse: abriu a cabeça.
tentou continuar pois queria perguntar o preço do carpete.
passou na frente de uma padaria e viu-se no reflexo. o cérebro tentando escapar era mais uma página, qual a urgência? se pela boca ou por um buraco na testa as idéias vão sair e os vermes entrar.

Quarta-feira, Março 30, 2005

cerração no útero

olhei e tinha um olho dentro do meu olho.
o decreto perdeu-se no concreto.
colhendo caminhos
os entornos
o homem na varanda dança ao comando do vento. até que é uma frase, mas vai servir para quê? para dizer que aquele homem representa todos os outros e portanto deve ser compreendido? que o vento é a vida tratando as pessoas como marionetes?
que aquele idiota deveria fechar a janela e voltar para dentro? que eu não tinha nada que ficar olhando os vizinhos? ler é um exercício de generosidade.
vomitei no elevador, nuvens concretas me levam ao céu ácido.

Terça-feira, Março 29, 2005

infame we trust

.vivi minha vida como se fosse real, e agora minha vida vai seguir sem mim.
e agora o jejum. schiavo jejua na páscoa. enquanto isso o mendigo aqui na rua está tentando quebrar um rádio no asfalto.
não adianta seu mendigo! não abre outra dimensão não!!!
sobre o coelho. o coelho foi inventado em 1862 por Lewis Carrol e não por deus, como querem dizer os juizes da suprema corte e do miss brasil 2005. estou derretendo na cadeira, a cadeira é a toca...

Segunda-feira, Março 28, 2005

conserto de alma

acabo de descobrir que não existe depressão. ou é sua química que precisa arrumar a lataria ou são seus conceitos que precisam fazer ginástica.
agora a sessão estátistica ao gosto do freguês:
o número de pessoas que se jogam dos prédios está caindo.

uma pilha de nervos

coloquei um avental e vou dar em cima da minha amiga imaginária;
vou fazer uma reunião com meus neurotransmissores para uma videoconferência sobre os efeitos de palavrasgrandes na minha emoção elétrica.
agora o depoimento:
cando, as ovelhas estão com s.o.s os comunistas e fechei a estação com fita isolante. o quadro foi vendido/ o dinheiro vai pag ...gados para nos tirar daqui. as pared*s chiAm com a bruxa má sintonia do rádio do vigi###(a); querendo o diabo fora do corpo,uni-vos formas de suportar,chave éter suporta palavras e verminoses " as paredes vomitando todo NADA o gelo seco a que temos direito.
"desaba
pousei a mão na parede - cuidado... atrás de você!
era uma das paredes querendo fugir.

Sábado, Março 26, 2005

derivando

só sei de que venho; ademais as velas falharão; eventualmente um meteoro ou um mosquito aprenderão minha lingua e me influênciarão.
a origem deve ao fim sua origem.
agora a anedota: ( da série: sentido contido)
tarde fria, feia e escura, a chuva bacante. sinto o cheiro caracteristico de terra. aonde estás que não me respondes mais? fecho as janelas e olho para o teto. uma nova aranha veio dividir o apartamento, provavelmente comeu a antiga. estou sem vontade, suspendi o tempo ou foi ele que me suspendeu; nada me tira da sensação de que já fui longe demais, mesmo aqui na casa e na rua da casa e na casa da rua.
deitado no silêncio e em pé no pensamento o cheiro da terra foi se dissipando, dissipando. um trovão mais perto e outro mais longe, a chuva veio, mas passou.
hoje fiz prova de história. lembrar do almoço de ontem, limpar o prato de amanhã.

Sexta-feira, Março 25, 2005

algum dia

não há passeio incoerente; a beira do rio poluido e o reflexo prateado, misturado, intoxicado. carregado.
fui cavar uma curiosidade, os olhos da terra. construir o momento dos momentos das coisas em volta; os verbos podem deixar o tempo mais vagaroso; o amor e a consciencia, essas coisas, essas pessoas; o que conseguimos colher das únicas coisas imunes aos 10m/s ao quadrado?
campos verdes passeiam pela nossa pele como essas coisas; quem diria que tudo isso por acender o fogo.
e agora a anedota: de repente, sem explicação eu não consigo mais ver mato ou grama ou árvores que tenho vontade de matar ou tacar fogo ou apenas derrubar. um odio incontrolável que tornou-se pânico após uma quase certa tentativa de homencidio por parte dos vegetais.
agora o sonho:
eu estava numa árvore, acolhido por seus galhos folhosos e sua aura de igreja vazia; o sol se punha em minha cabeça e havia vida. eis que sem aviso, sem vento e sem deixar cair nenhuma flor a árvore começou a me engolir. primeiro ela me abraçou forte e seus galhos prenderam meus braços e pernas; depois senti um galho prendendo forte meu pescoço até que o tronco abriu-se em uma boca grotesca e começei a ser engolido vivo.
- caberia recurso para o macaco voltar para o circo.
- indeferido e indecoroso.

Quinta-feira, Março 24, 2005

saudades

ao vivo de mim mesmo.
uma antena cega; fazendo sentido.
o dia chegou cedo, deixou a mala na estação e foi tomar café na padaria. comeu o pão olhando fixo para o lixo do outro lado...
a bomba foi jogada exatamente à 1:35, o impacto foi um minuto depois; as únicas testemunhas vivas estão muito assustadas para falar, só resta uma cratera de 15 metros de diâmetro para comprovar a tragédia. nunca mais vou dormir.

Quarta-feira, Março 23, 2005

compromisso

a vida é como dor nas costas.
quanto mais doi mais a gente acha que tem que ficar deitado, até que num dia se revolta, resolve fazer faxina e descobre que a dor passou!
uma liçao drástica do silêncio, nocalte esse dia feito dos dias.
compro e vendo.
presente omisso.

com o que parecer.

se estiver com a pele, com o reveilon.
só com a alma, com a ala atéia do purgatório.
com chocolate na camiseta, tamanduá esquizofrênico.
farei de conta que o reflexo não incomoda.
agora, a anedota: eu era sonâmbulo e toda noite pintava um pouco de um quadro; acordava até ansioso para ver a evolução da pintura. não identificava muito bem o que estava retratando. de tão ansioso acabei acometido por uma curiosa insônia! três dias sem dormir e o quadro ali, esperando as feições finais...
finalmente não aguentei mais e dormi, como as pessoas dormem em filmes do fredie kruger. acordei no dia seguinte e as tintas haviam sumido, o cavalete havia sumido, a tela havia sumido!
corri pela casa toda procurando por sinais da minha "arte" - um termo deveras pós moderno - e não achei nada, no lixo, no banheiro, na janela. apenas identifiquei um sinal. uma mancha multicolor de tintas que desciam até a rua. sim, cada um tem o arco iris que merece.
segui a trilha que terminava num ponto de ônibus. o que havia no meu pote de ouro? a minha assinatura no chão da teodoro sampaio.

Terça-feira, Março 22, 2005

terrível! terrível!!!

admiro os animais e admiro as palavras, mas odeios os animais que usam as palavras.
filme cerveja, filme pinga, filme saliva.
eu gostaria de ficar, mas o presente respira militarmente e irremediavelmente para o eclipse.

Segunda-feira, Março 21, 2005

plantão

uma estranha dor acomete os ouvidos, o preço do dólar carimbando minha vontade de mijar.

ouvido zunindo é sinal; a velocidade da terra aumentou; barulho de vento dentro.
misterioso e com um pano cobrindo a cabeça; passou um dia; prisão domiciliar.
disfarçado pelo latido do cachorro, um momento de dúvida; maquiagem.
sim, como disse a um amigo; deus escreve certo por galinhas tortas, e usa a maquiagem da mãe.
e como disse outro, hoje estou bíblico. tomando suco de maça. cancele o pedido; essas coisas acontecem.

Domingo, Março 20, 2005

a greve dos seres imaginários

(da sessão: pensamentos da bruxa pegando fogo).

sou uma poça de sangue calmamente se elevando para o destino; o plano divino de bodes e cães lavados; a maneira de saber do mundo que os animistas encontraram para contar os anos. no céu com chuva passo a roupa e arrumo o cabelo. pensamento em erupção e o futuro suspenso; as procissões passam pela semana, procuram um lugar para o descanso e para o descaso.
a parte de mim que podia já voou, o resto insiste em olhar.
essa nova cor, tão leve a descoberta, perto da extinção. caibo na tua mão. visitei e fui visitado.
todas as forças que comprimem alguém durante a vida, o sacrilégio honesto.
a estrada encerra a arquitetura da contradição, a erudição da estupidez e os badalos das horas mudas...

Sábado, Março 19, 2005

filmografia da pobreza

a mulher da carrocinha estava segurando o trânsito mas o que ela queria mesmo era segurar a nuvem escura.
o policial estava fazendo maêutica mas queria mesmo era realizar estrangulamento.
eu comia pão mas pensava no gps dos elefantes.
o copo de vinho, o abrigo de amanhã, essa discussão. todo o dinheiro do mundo. e nada importa, isso comprovado e medido.
distâncias, amores e pensamentos. uma prisão que não é completa é um fardo, um fardo intermitente é uma possibilidade, uma possibilidade na mesa é um pensamento, um pensamento num pano de éter é uma generalidade; como um girino.
um girino é sempre um girino, importa o eletron possível.

pisando só em cimento

da série: a gente desacostuma com certas coisas/limpei a alma sujando o banheiro.

aqui em baixo, agora a pouco.
voltava da cardeal, os lixeiros esperavam o caminhão apontar na rua e pensava que o que é, tanto quanto o que não é, é mesmo assim e vi dois grupos de jovens tatuzinhos brigando, bem na porta de minha casa. o bar estava fechando.
enquanto eu esperava aquela convenção da onu desenrolar-se qual cobra espancada observei atentamente que eu estava em pé sobre um pedaço de terra.
uma calçada quebrada tocando bob dylan sob meus pés e senti uma paz difícil de descrever. tanto que cada bando de tatuzinhos foi para um lado e eu continuei lá, licérgico. o que me acordou foram o caminhão dos lixeiros e a porta do bar abaixando. me deu sono e freiei como um camundongo olhando para o queijo maciço. vou perseguir o sonho até ele virar pesadelo.

Sexta-feira, Março 18, 2005

preso na paisagem

tem no inferno a sessão dos infinitos.
a chuva dividiu as provas com a promotoria; resultado é que fui acusado de gestação de profecia.
quantos pernilongos nevando de vontade.
vi hoje 87 pessoas, um crocodilo e uma familia de pombas.
incêndio na molécula, que mentira pensei hoje?
se o que serei é o que sou mais o que fui. pois há um espaço para novas construções entre o agora e o nunca; sim, o que eu queria dizer, a barriga do infinito, e nela as possibilidades andam de barco e os barcos caem nas caçapas.
sombra de fantasma, 70% água.

vaselina e dicionário

da série: nós amamos as contradições.
gosto quando as pessoas dizem que algo custou uma fábula. tem a ver.
quando vão se referir à cocaina e dizem farinha. está no pão, está na mente.
e sobre a liberdade, guardei a alforria no sapato.

sonhos que eu quero ter

da série: relembre-se.

eu não era exatamente eu e começei o sonho na sala de operação, o médico falou que iria fazer uma cirurgia em meu cérebro. tudo acontecendo enquanto uma enfermeira sem cara tirava meus poucos cabelos com uma gilete afiada.
apaguei e reacordei com uma cicatriz na lateral esquerda da cabeça, até que ficou legal. o médico disse que eu estava bem e podia ir para casa.
o detalhe é que para ir para casa eu precisava pegar um avião. e peguei o avião errado.

urbana loucura

(da sessão: esse mundo é uma drogaria).

no mercado, sessão dos chocolates e doces; a prateleira treme, algumas barras de chocolate caem e surgue um buraco no chão do mercado, uma voz vibrante se pronuncia:
a voz: jogue um chocolate aqui para mim que eu te conto alguma coisa do seu futuro.
eu: tem alguma preferência?
a voz: manda um diamante negro ai.
joguei a barra, esperei um pouco e fiz a pergunta:
eu: eu vou ser feliz, voz?
a voz: vai,mas antes você vai ter que me pegar uma coca cola lá nas geladeiras. se você pegar a coca cola eu te conto como o mundo vai acabar!
- nesse momentos as luzes piscaram, um trovão entrou pela porta e um relâmpago pagou as compras; fui até os refrigerados e peguei uma lata de coca cola. voltei e joguei o conteúdo da lata para o buraco. a voz se manisfestou...
a voz: ô, pobre filho da puta, o mundo vai acabar comigo engolindo ele. só há um jeito de evitar isso! você terá que me alimentar até morrer.
não tive dúvidas, pulei.

linha de pipa

(uma conversa informal com a recém noção).

pintou a cautela, revivendo postiço. o fundo da árvore e o caule do poço.
assim, tinha o coração e ele gostava de andar de skate. um dia o coração caiu do skate e fraturou o cotovelo. ai o coração se prometeu que nunca mais ia andar de skate e arranjou outro esporte, o xadrez. ( é, após o trauma a gente sempre radicaliza). ai numa porcaria de partida, o coração perdeu a rainha; foi muito para a cabeça dele que comprou um playstation 2! para você ver, até agora o coração está tentando segurar o controle.
para falar a verdade não gosto muito de imaginar um coração caricatural realizando todas essas atividades, fica parecendo e mail que a gente recebe de primo; portanto aonde se lê coração é melhor imaginar uma uva ou um martelo (ou até mesmo o coelhinho da páscoa).

Quinta-feira, Março 17, 2005

e se é certo que envelheço mais rápido que minha percepção então meu sono já não tem mais dentes para mastigar meus sonhos. minha boca já não alcança mais a vontade da noite, meus braços cansaram de te esperar.
gritou porque cansou de falar, falou porque cansou de pensar, pensou porque cansou de intuir, intui porque cansou de estar.
nenhuma lógica presta, por isso estamos nessa, venha ver o sol explodir.
vou hibernar de você para ver se assim o desejo se acalma.

a casa e a asa

conforme fui acostumando a não ter ninguém a impressão de que as vozes passam ficou nítida. eram todas as pessoas com pressa que conheci ou que conheceria, afastando e atacando o sol com a peneira.
depois veio a experiência e me pediu pra tirar um fiapo de madeira de sua garra afiada, foi assim que peguei meu diploma.
agora tenho os viciados para me confortar, pegam na minha mão e atiçam meu coração. o teste da humanidade nos outros é fazer chorar. cantei para a dulcinéia e ela nem ouviu.
amanhã é dia do imposto de renda, comprove a casa, debata a asa.

Quarta-feira, Março 16, 2005

castigado

meu entendimento quebrou o entendido.
à coisa que melhor não entendo: eu mesmo.

primeiro a gente canta

de ser tantos em tantos momentos vejo agora que mal sou um inteiro. um povo estranho de farrapos e amendoins debaixo do sofá.
privacidade. curas.
altos e baixos, essa é a lição que você quer se ensinar.

uma cena bizarra

escritório- madrugada
eu e o computador, agora.
passou a pernilonga e eu não consegui mata-la, depois veio a mosquinha pequenininha em forma de coração e pousou na tela do monitor.
eu estava com a dulcinéia fazendo lista de merdas da vida quando...
a pernilonga gritou no meu ouvido, passou pela esquerda, subiu um pouco e avançou obstinada até a pobre mosca coração! a pernilonga folgada saiu voando pela janela depois e a pobre mosca ficou uns segundos caida perto do teclado. depois ela se recuperou do nocalte e voltou para a tela.
estou sem coragem de sentar o dedo na pobrezinha.
é, coração sofre!

tábua de passar pensamentos

tenho passado os últimos dias às voltas com a coluna/espinha/vértebras, fodida/fodidas. uma experiência solitária e deitada. sentar é um pesadelo, tudo tem que ser feito no formato tábua, qualquer dobra ou desdobramento gera automaticamente uma dor lombar difícil de não xingar.
pois a tal experiência inflexivel está sendo devidamente metaforizada pela peruca do sol/cabeça. haveria nessa incapacidade de se dobrar alguma lição a ser aprendida? a pessoa está precisando curvar-se ante a vida e seus designios? afinal a dor nas costas é resultado prático e comprovado da vida agindo sobre este indivíduo... tudo uma questão de postura.
recalques, expectativas, sonhos, ilusões. que porra foram fazer na minha coluna que não estão por ai trabalhando pelo bem comum? só posso estar reto nesses dias, pensando reto e lembrei dos cavalos com aqueles arreios e os piratas com os tapa-olhos e de mim mesmo, sem dor nas costas. o que será que eu estaria fazendo agora?

Terça-feira, Março 15, 2005

a burrice e os dias

a chuva me lembra de ficar na caverna. para conversar ou para comer, acender o fogo e saber que os predadores vão ficar longe; também eles preocupados com a música dos relâmpagos e à prestações. agora vejo as coisas organizadas; o metal acumulado, as folhas passadas e todo mundo vestido e revestido.
gen também entra em ebulição. quase explode de tão quente e ai perde um g, um t ou um a e vira outra coisa. o instinto pulando de letra em letra e o macaco de castigo. tenho certeza que meu instinto já foi comandado por outra parte do meu dna que não essa que me manda e desmanda a todo instante. sou canhoto, mas escovo os dentes e toco violão como os destros. quer prova maior de que as células pensam?
as hienas chegaram ao pé do arco iris e pegaram uma pedra de um rio seco, tocou o telefone do soldado e era a mãe dele, na cozinha, achando graça em culpar a terra. depois dois elefantes se pusseram a discutir em um café parisiense de pinheiros o que é que estava a racionalidade fazendo no programa do sílvio santos. olha, eles estão sempre tão certos que não tem como errar o tiro.

talhado

o telhado caiu, o mar está ocupado e ficaram atiçando fogo no demônio, agora ninguém aguenta o cheiro. o ônibus estava cheio e dei de cara com aquela plantinha da rua que me lembra você. não estou preocupado hoje mas sei que durante o banho vou escutar aquela música e a sensação domingo a noite( apesar de hoje ser segunda) vai desabar pelo teto furado.
sim, "esqueci de fazer a lição de casa e queria ficar por aqui brincando com as paredes".
10, 15 anos depois desse pensamento eu ainda tenho vergonha das paredes.
sabe que destrui a civilização e que já salvei a princesa do dragão. isso era a vida pararela da minha vida pararela. acabo de intuir que sou um ser completamente desprovido de realidades. fiquei tão acostumado a traficar as idéias que agora a alfandega faliu.
todas essas batalhas reservadas, os coros de música, o disfarçe sem conclusão do pensamento descendo pelo sangue no corpo todo. o coração sentindo a dor do fígado, o rim sentindo a contusão da cabeça, a cabeça recebendo o vômito dos espaços.
só o choro dos dedos é que não se faz uma palavra que eu possa esfregar no corpo e que me leve para longe. bem aqui.

Segunda-feira, Março 14, 2005

alternar definições

sou a casa da cidade.
estou de papo para o ar.
meu despertador latiu o jornal da tv e estava com as unhas sujas de música clássica.
a cidade é a mesa de jantar das podridões.
os elefantes migram todo dia, isso treina as árvores.
grama acarpetada define metas junto ao fmi, um cigarro, os mosquitos fizeram ninho nas marginais; quanto a náu, a náusea e ao caso anal quero mais é que desaprendam a contar.

Domingo, Março 13, 2005

tropeçando na mandala.
sou um remendo valsando, querendo aprender. pelo amor. fascinado pelo cheiro das horas da madrugada e entregando a vida por ideais que pertencem a luzes solitárias.
mata o domingo de noite, todo o mal de olhar para o texto é chamado de tentação.
como medir os enfartes. os pertencimentos, as conversar, as luzes, as noites que quebraram.
o tênis ama tanto quanto a conjunção do verbo, vergbo, bergmo, sergma.
contagem e contágio, de colas é que se vive a vida;
...

para que unicórnios?

toda dor se acaba, não importa se em 1 mês ou em 1 ano ou em uma vida. elas são como as felicidades e as dúvidas. escolher se o paráfrago vai ser justificado ou alinhado à esquerda é mera questão de gosto. o principal cauterizador das feridas.
mas quero saber da família, das músicas e de alcançar as estrelas agora. como a fome, mas mais que ela a solidão. tão definitiva que parece que faz jus àquela aula de movimento retílineo uniforme; uma aberração colegial.
gol anulado.
é como se o mundo fosse viciado em algo que nunca vou entender.
lembrança-lata-de-cerveja.
sentindo o abismo camuflado na flauta.

Sábado, Março 12, 2005

o demônio de shangri la

quero dizer que estou sem dinheiro, e pior, gastando a idéia. sair de segunda a segunda até que é fácil, o problema é manter o sistema financeiro com o tumor sob controle. mas como todo ser humano que se preza eu também tenho meus planos.
sim, já estou quase certo dos caminhos a seguir quando os agiotas e traficantes vierem me perseguir. vamos as alternativas:
A- fundar um partido apolitico.
B- fundar uma religião arenosa.
C- fundar um sistema capitalista comunista.
D- ser um exorcista asmático.
E finalmente a E - arranjar um emprego.
fiquei esse tempo todo passeando pelas veredas sacudidas do precipício que o gasto com a insanidade já ultrapassa em muito todos os remendos na geladeira e até mesmo o fogão ter gradualmente se transformado em um pulgueiro de baratas. quem carregou na gosma? quem comeu o cachorro? quem coçou o esforço? qual a distância entre o 1 e o 2? quando vou derreter? quando acho que vou derreter? umm pêlo do meu umbigo está branco. um dos meus umbigos caducou.

terapia, vaso sanitário e papelão

salada de corações , partituras partidas, trens caindo pelo asfalto, os carros nos trilhos do trânsito das almas sem terra, sem carne, sem colocação social. anulando as eleições para tomar ar.
e essa chuva que tá chegando com todo o esquecimento que eu depositei no banco.
a pá emocional perdeu para a plantação existêncial o culto das visceras no intervalo entre a vala comum e o salto de qualidade.
um amorzinho para cuidar dos dentes.

fazer de "a" a "z"

devagar pegou a música e foi colocando um grito nela, uma felicidade de ponta de faca derretendo o engasgo e vazou licor, como um bom bom.
repórter: o senhor tomará alguma providência?
político: não, nós não vamos fazer porra nenhuma.

Sexta-feira, Março 11, 2005

isso é aquilo

assalto na lotérica. a estrada dos tijolos amarelos está interditada, tente a toca do coelho ou a genética. no final do baralho está um cachorro comendo lixo, no final dos corações tristes está um vaso cheio de sementes de feijão mágico. agrotóxico na banheira. totem com pensamento é bicho gente.
e olha que ainda corre-se o risco de ouvir coisas do tipo: não tem mais ninguém normal... ou pra onde é que esse mundo vai?
por quê? rei midas em todo lugar, os artifices da grandiosidade, a graça do que é caro.
estou tão vazio que poderia estar cheio

Segunda-feira, Março 07, 2005

coração displicente

cheiro de cigarro no ar, ou cheiro de ar no cigarro; uma inversão bem estúpida pra começar. o vampiro que se preza pega o sol e transforma ele em cinzas. o elevador quebrou no meu andar, agora fica trazendo seres de outras dimensões para passear na entrada do meu apartamento.
* aqueles que sabem que não tem elevador no meu prédio que me desculpem mas hoje estou displicente com as escadas*
queria saber porque minha galinha de estimação anda tão quieta, arrastando a cabeça pelo concreto, procurando bicho de cimento pra conversar; toda vez que escuta o caminhão da ultragás pega o telefone e liga pra mãe. reflexo ar condicionado.
compramos um livro de receitas, acho que se acrescentarmos patas de morcego ao combinado espaguetti/gorgonzola; é capaz de reestabelecermos a inquisição; dessa vez com as bruxas mandando os padres pra igreja. só para constar nos livros que todo mundo teve chance de ser cruel. eles acertam na mega sena toda semana. agora sou a madrasta de um pinguim perdido, um pobre arrependimento com teclas nas mãos. sessão sonhos: eu estava na paulista, 6 da tarde, um puta trânsito, chuva chata, parado no farol. vi uma procissão passando e não tive dúvidas, larguei o carro e fui atrás. ai me lembrei que tinha esquecido o casaco no carro e tentei voltar mas o farol abriu e senti cheiro de cigarro no ar.

incapaz

ou guerra. o fio desencapado é incapaz de manter a sanidade por mais que um minuto. quer muito congelar a eletricidade para fins pacíficos mas tem a genética de barata assassina que qualifica os vermes a criar um sistema político só para espera-lo cair do cavalo.
dor cansa. é como criar novos pulmões.
mais uma semana, quem aguenta viver assim? esperando um reflexo ou um relâmpago ou um calote ou um iceberg. quem aguenta esse drink sangrando a saudades e melancolia, com as fotos ganhando a vida nas esquinas e essa bomba que só ameaça ser a comparação para a felicidade, os arroubos e os furtos, os surtos e os roubos.
como diriamos... façanha descascar as pessoas em formidáveis noites de velas ao vento.

um passe

no futebol.
no centro espírita.
na leitura.
no ônibus.
na gente.
nesses minutos que passam.

surto domingo a noite

blogo, blogo meu; existe alguém surtando como eu?
não sei de mim, não sei de nada; sou só mais um na madrugada...
isso mais as células tronco... tem um quarto dentro de cada um que é meio cômodo, meio vicio. praonde todos vamos correr um dia, quando algum orgão deprimido quiser teorizar sobre a vida e a morte.
regeneração, começar o recomeço a toda nova velha vez.
isso se chama o complexo do pino vermelho. sim. o pino vermelho, sempre que chove, se esconde atrás do sofá. para tira-lo de lá, só jogando os dados.
meu aqui e agora está cheio de noticias do passado e variantes de futuros. um renascimento que não significada mais que uma cidade suja.
arranquei meu coração, pesquei atrás do sofá, células querendo pular. o pino que falta, o que pino que salvará...
e praquilo que não sei dar nome, que faz o chão grudar nos pés; transbordamento.

Sábado, Março 05, 2005

uma noite agradavelmente tensa...

ouça sempre aquela voz que te desmente, ela é o amendoim que engasga o elefante.
um beijo tem sempre um pouco de despedida.
e os óbvios agradecimentos à ultima pessoa que eu esperava encontrar hoje, minha doce dulcinéia intempestiva; meu aluguel vencido, a taturana que me queimou.
sistema operacional, da luta é que se faz o leite.
vi a civilização tomando placebos e fazendo ninhos nos espaços; fantasmas com asma.
sou um pedregulho muito velho.
quem diria que os ossos pesariam tanto nessa ausência?

eterno e gravata

aperto em casa, sexta meia noite. permanecer ou não permanecer, eis a balada.

Sexta-feira, Março 04, 2005

escravo escreve a reza

espinha espia os pecados.
a segunda vez em que me corto com o garfo. no meio da janta, comendo e assistindo tv, compenetrado no vácuo... e dá-lhe aquela dor burra de quem acaba de enfiar o garfo na própria lingua. o xingamento sai assustado e de boca cheia.
é no céu da boca que está o túmulo da lingua.
subiu aquele frio pela espinha, vértebra por vértebra que nem os dominós; subindo uma descarga de pensamentos obtusos: deus, deu, caiu, caim, estou, tombo, escravidão. jó. sabe aquelas palavras que se parecem? como essas do título, então; estou víciado em cataloga-las.
mas voltando ao causo da lingua perfurada, não sei mais se foi de propósito ou não, afinal o costume de achar propósito em tudo já transformou muito inferno em depósito de pecado. porém sinto que o inchaço resultando da ação, intencional ou não, será um novo jeito de dizer nas palavras a própria lingua.
vai saber a utilidade do sexto dedo da terceira mão...

aconteceu a peruca do camicase leitor de jornal

o leitor de jornal camicase cuidou bem da peruca.
um sonho encontrou com o outro, do acidente nasceram 2 passarinhos. um deles nunca voou, o outro sumiu. nasceu também uma bananeira alucinógena do caldo frio da manhã. os sonhos; um com uma rua aonde cada segundo era uma fotografia e outro, uma fila, dentro de um trem em movimento, de musicos dopados, não eram necessariamente complementares, então sobrou vodka pra todos os lados.
um culto de comedores de banana ameaça acabar com as bananas todas, querem reproduzi-la mas ninguém consegue, querem guardar seus frutos para o futuro. está claro que, mais dia menos dia, alguém vai dispistar a maioria e tomar conta da situação.
você tem noçao da importância da bananeira em nossas vidas?
os caramujos estão rápidos, nessa época do ano encotramos muitos aniversários de escritores falidos; não mais que em outras épocas - nem menos - é mais um parâmetro do quão próximo estamos de uma catástrofe com a bananeira.
na traseira de uma casa falída, com acessos soturnos , habitada por alguém que também é habitado pela casa de um fantasma carcomido pelos vermes fantasmas. com os fantasmas dos fantasmas e o pai do pai já deveriamos saber que as ruas mudam sempre de nome, destino e direção; nós é que não percebemos dada a rapidez da osmose em sonhos cruzados.
dei um espirro que virou uma tosse.

barco doente

esquia no lodo, esquartejando o amor por não atolar.
cauda adotiva. travessia madrasta, ressucitar os milhôes de anos.
planando meus ouvidos, voando as velas; sol pesaroso e gaivotas pescando.
caminhar em pendências, sonho endêmico, ferir o sono. irrigar os passos, trocar o tecido dos defuntos. pegue essa maré, morrendo há anos.
...de que adiantam esses sentidos se não são agraciados com a sabedoria dos buracos na terra?...
trocou, num repente de revisão, o amor pelo gosto, a inundação da testa foi o artefato que abriu um marisco no olho.

Quinta-feira, Março 03, 2005

deserto são paulo

pra que tanto barulho? estou semi surdo de nada acontecer. aqui nesse fundo de previdência peter pan , a quarta parada mata logo de cara pra não ter erro. foi assim:
o dia estava virando noite e resolvi passear minha dor nas costas, um desfile de frango. muita gente voltando pra casa, os ônibus cheios, os carros irritados, os cachorros indo dormir e os gatos indo caçar; planejamentos e afins. a senhora na minha frente, esperando o faról abrir foi quem deu a deixa da conspiração da miragem.
ficou parada, desatenta e pegou alguma coisa na bolsa. até ai eu estava de olhos vendidos, mas quando ela acendeu o cigarro notei o pó se acumulando no chão, perto dos pés dela. sim, era areia. cristais beges e brilhantes de areia. o fárol abriu e eu fiquei ali parado, observando aquela irrefutável prova de que as praias e desertos do mundo estão cada vez mais perto; à venda nas casa bahia, nos botecos de pinheiros, nas almas cavucadas dos paulistanos desertores de outras encarnações.
abaixei-me e tratei de cercar o oásis de verdade na esquina da simão com a cardeal. agora só falta convencer minhas costas de camelo a levantarem daqui.

sigilo

sonhei com bombas caindo. era de dia e elas eram muitas, centenas de manchas no céu e explosões violentas ao redor de minha casa. fiquei assustado e hipnotizado com o terrível espetáculo; sei que em determinado momento tentei me esconder de uma das bombas que caiu mais perto e ao olhar para o lado, vi uma ratazana tão amendrontada quanto eu; parecia que ela estava rezando.
eu não fazia a mínima idéia de quem estava nos atacando, pensei logo nos americanos, ouvi uma voz parecida com a da fátima bernardes dizendo que tinha a ver com a invasão da venezuela. e, de repente as bombas pararam de cair. caminhei pelos escombros desertos até que encontrei uma família de desconhecidos. o que mais me chamou a atenção é que, além de estarem vivos, estavam uns lambendo os outros. carinho de guerra.
nisso acordei, com uma música chata na rua. estava frio e não resisti, olhei ao redor e lambi meu braço.

ouça o monge

um salão aonde o amor não tenha estado. a sorte está machucada nos faróis e nas brincadeiras catastróficas, as trocentas portas e janelas que doem na ressaca não me disfarçam nem pelado nem sem alma. foi buscar um livro no inferno, uma encomenda do trabalho. comeu uma explicação na padaria.
a mão de tinta de verdade sob as cores frigidas do ombro da lagoa, tem uma chaminé que desce por mim até o outro livro que errei na corda bomba. passei por uma luta no caminho, eram duas árvores de fidelidade. e agora meus amigos ficam ajustando os sapatos para a lama.
não tinha brilho na graxa, não tinha medida.
as camas com tempo contado, as seringas com conta gotas, as falências sagradas, os abortos espontâneos, os restos da civilização e os prédios entorpecidos. quantas vezes passei pela feira regorgitando os indios do espaço.
farei qualquer coisa pelas tuas mudanças, " se você quiser um lutador, pisarei no ringue por você".
o demônio não quer dormir.

e antes que eu me esqueça

vou pendurar um sino no meu pescoço.
encerei o palco. agora é possível escorregar em cena e criar realidade da ficção.
prejuízo é como pós loucura. preconceito no açougue é faca malamolada.
li minha mão e deixei a sorte escapar por entre os dedos.
quando me perder novamente transformarei o que todo mundo sabe em leite derramado.
páginas lidas, águas passadas, varíola; eu tinha um cachorro que se chamava aviso, um dia o aviso me avisou com uma mordida que o amor não tem nada a ver com expectativa.

Quarta-feira, Março 02, 2005

delírios que o mundo trás

o mundo é um mar.
eu, nesses momentos, tenho a convicção da bolsa da canguru de que estou captando os delírios que as pessoas e as coisas e os bichos produzem. sem balela ou magia. puro magnetismo inconsequente. como a lua tirando a toalha e tomando um banho no aconchego da nossa inspiração.
a humanidade das porradas.
o chá que tomou gente e viu entidades.
as entidades que colheram cataventos na beira do abismo.
e as coincidências que não me deixam mentir.

das voltas que o mundo dá

e das voltas que o mundo tira.

vai ficar brincado com a grama. flutuando os pensamentos pela galáxia. enchendo e esvaziando as células com notas músicais que sobem.

desapego e desemprego

o desespero do martelo que gritava pregando os olhos para tentar dormir, tinha brigado com a mulher e sabia que ficaria mal por muito tempo.
até conseguir voltar aos espaços de convivio e não se deixar abater pelo vazio. quantas tempestades teriam o mesmo efeito que um livro ou uma formiga suicida. tudo, enfim, seria filtrado pela imagem da mulher.
o martelo sabia que tinha que correr, correr muito em seu passo desanimado e em seu papel higiênico filosófico. tinha que correr com o café na mão, com os intestinos na barriga e com o coração inutilizado. bombear sangue é fácil, difícil é saber por quem os corações dobram.
qual é o emprego de um martelo? pregar para desapegar.

Terça-feira, Março 01, 2005

compulsão

o computador avisa que está doente. catarrando meus arquivos. maledicto, o doutor Hibert disse que a maquininha rebelde tem que ficar três dias em observação e que vai custar 80 reais! vou ter que apelar para o doutor Nick Riviera.
mas na volta do médico eu fui atravessar a rua e quase fui atropelado por um uno! que morte deprimente. o susto jogou fora minha vontade de acreditar.
sou também o mais crente dos céticos.
preguiça de coçar o cérebro, de lavar a papelada, de trocar as cordas do violão. de ficar 3 dias sem meu computador, de desligar o som, de ouvir a música. talvez a preguiça seja a mais completa forma de compulsão.

Segunda-feira, Fevereiro 28, 2005

pesa preso

noticia da imaginação.

a mania de pesar e medir está me lembrando de alguma coisa.
sim! um dia, no primário, entrei para assistir uma aula de português e acabei tendo uma de matemática.
conjugações de números e a quantidade de vértebras por pensamento.
depois, já mais maduro porém imaturo, num encontro com uma garota; achei que iria estudar comportamento mas acabei aprendendo religião.
... minhas costas doem tanto que parece que vou ter um filho com os xingamentos...
queria só recapitular; já fui pesado e medido em tantas ocasiões e já pesei e medi também tanto que já até estou adivinhando os números. virei uma balança. vou comer baleia pra ver se arroto o mar.
sem individuos, o universo estaria recriado no ouro musical dos insetos. eu e você seriamos uma aula de piano.
o café eu quero sem dúvidas e com açucar. o amor pode mandar no copinho de plástico. usando a mesma colherinha pros dois, pode ser que fumando o mapa eu me acostume com as distâncias.
estou louco de fragmentos de uma granada louca.
sou, oficialmente, o mais cético dos crentes.
estarei, definitivamente, o mais pesado dos acasos. macaco de gente.

o pequeno trecho de estrada

asfaltou você.

fuso oceânico

acho que só o pensamento é que pode ser relativo, tudo o mais são coisas e só.
e como as palavras são os pensamentos desenhados, então invadem as ilhas com suas águas derretidas das calotas e nos pôe pra correr do tempo, da morte e de todas aquelas noções que achamos que são relativas. a guerra relativa e a atômica.
e os acontecimentos mesmos vão ficando por trás do pensamento sobre eles.
com os olhos marejados de água salgada e tomando sol e mijando dourado.
minha dulcinéia camicase ficou grávida do vazio; está lá, vomitando as verdades vermelhas; as azuis ela vai guardar num vaso.
e seu avião e meu vento. que acidente estável.

Domingo, Fevereiro 27, 2005

um título

confisco de lógicas. bares fechando. enquanto ficas louco de reverberações e cidades aspiradas. caindo para os lados, ouvindo o coro, salgando o couro, tempestades, tem pestes, tem pestades?
gafanhotos, maremotos, ouvidorias, concorrência. o papel das idades é ficar velho e aceitar a velhice. hélice. hélio, vento , barômetro, metrô, retrô, bistrô.
leram a sorte e a sorte estava pendurada.

vamos combinar.

que a fogueira, como qualquer de suas variantes, vai acabar com nossa escuridão.
que vinte minutos vão ser a eternidade, isso explica porque nada é o que se quer dizer.
que as compreensões vão ser trincheiras, por onde quem não está em guerra passa plantando bananeiras.
que eu te amo, você me ama e o sol e a lua não vão mais querer dizer.
que a fumaça vai, que a fumaça vem.
que o andar da carruagem parece o cavalgar do trânsito.
que cansa a atmosfera. pressão boa. 9 por 12, vais fazer muita merda ainda, podes ficar tranqüilo.

Sábado, Fevereiro 26, 2005

em coma

noticia de jornal.

o consciente coletivo vinha descendo a ladeira da memória, no centro de são paulo, quando foi vítimado por 5 balas perdidas. seu acompanhante, o super ego, nada pode fazer. estava ocupado reprimindo os amigos.
testemunhas dizem que os disparos vieram de cima de um prédio mas os peritos não chegaram a nenhuma conclusão, uma vez que qualquer número multiplicado por um é sempre ele mesmo.
as investigações apontam na direção da igreja mas nem mesmo o nariz será descartado.
o consciente foi hospitalizado no Emilio Ribas e de acordo com o último boletim médico está inconsciente, coletivo e em coma.

homer lennon

pergunta: a vida é a morte que se engana?
resposta: chocolate...

a resposta do bêbado

e lá estava eu, jogando sinuca. e ai apareceu o bêbado e começou a falar da vida. disse-se que com aquele taco eu não tinha desculpas, precisava estocar o jogo. ai lá fui eu usar minha costumeira capacidade pra dizer que frente ao alcóol não há talco que faça o taco ser útil. e lá se foi o bêbado a interagir e me perguntar porque eu era tão engraçado.
o mar não estava pra peixe então resolvi encerrar e mandei o costumeiro: te cuida!
sabe o que ele respondeu?
- eu fazia piada e música. te cuida você.
na hora me veio o chico na cabeça... ouça um bom conselho...
a vida é cheia de curvas e eu cheio de retas.

Sexta-feira, Fevereiro 25, 2005

luz, quero luz

e hoje choveu para lembrar de arrumar a janela...
e os óbvios agradecimentos à electropaulonocudopaulista que primeiro me deixou sem luz das 15 até as 17, ai começou a reestabelecer a luz do bairro, lá pelas 18 as luzes dos postes e a metade da minha rua já estavam bebendo em homenagem ao pai thomas edson arantes , mas da minha casa até outra esquina, nada.
toquei violão, joguei xadrez contra mim mesmo, tropeçei nos móveis e depois na mesa e depois no teto. e como sou uma pessoa integrada nas tecnologias, fiquei sem telefone, já que o único aparelho da casa é daqueles sem fio que têm que ligar na tomada.
resultado; fiquei surdo dos olhos e me fodi com as idéias.
um beijo no coração das multinacionais, de são pedro e dos atores e atrizes que chegaram lá.

sensual e sem açucar

...olha só o catálogo de doenças disponível para os cidadãos do século xis xis um. temos a hemorragia da psique, o câncer das indumentárias, as confissões do alter ego e até mesmo o exorcismo do fígado...
a sabedoria. rosnar em público.
errar o caminha pra casa, não saber se fechei a porta, garimpar os degraus da mente e escorregar na casca de bananas da psicose. alías tem um amigo que pegou psicose no pé e micose no super ego. uma verdadeira catástrofe que coça.
mas porque tudo isso? tirei a roupa dela devagar, desnudando peça por peça o corpo frágil da dulcinéia camicase; a meia luz vislumbrei o bico do seio e lambi com uma mordida disfarçada de carinho.
porque os bons pensamentos vêm revoltados com esse mundo diet?

semiótica da osmose

só resta rezar.
definiu, definhou.
tem um átomo rebelde em mim.
a lua interfere nas trocas.
de dentro ou de fora, a árvore de dinheiro se chama metalinguagem.
o itnerário do sentido é o sentido do itnerário.
funeral de tatuagem.
admiro o tempo disfarçando tudo.

vias respiratórias

eu vejo o viaduto. quem invadiu a rua para fabricar níveis. visceras organizadas que trafegam e são trafegadas. espadas de cerol. locomotiva de merda. qual é o posto mais alto que o sapo pode aspirar? zelador ou caixa de sapatos? com quantos furos se faz uma teoria, quem pescou o último peixe do meu aquário e de quem é o respeito que eu achei debaixo da geladeira?
aliás, acelerei o silêncio para o vento secar melhor as lágrimas. o pedreiro que eu vi chorando, chorava quase um cimento. mas como eramos indiferentes ao cansaço dos pardais, então elocubravamos caro e manobravamos carros e cheiravamos cola e gastavamos tempo.
quem vacinou o preto velho foi o Jonas, de dentro da baleia com seu incisivo quase podre. o vampiro que já estava assumindo a forma de um peixe.
peixe viaduto, só não via a luz no fim do túnel.

Quinta-feira, Fevereiro 24, 2005

enquanto isso na ucrânia

choveu, fez sol; estava abafado, agora está cozinhando. as linhas do metrô se confundiram, show para ir, show para não ir. lançamentos e débitos.
e deste mundo não levaria nada nem que pudesse.
uma música e o estado de espírito. fui cortado pelo trópico de capricórnio, feito em fatias pelas mãos divinas e assado pela cegueira radioativa dos sapos que se pagam e se pagam e devem juros dos juros.
ouvi a história bizarra da incrível aeromoça que esteve em 4 acidentes, todos quase sérissimos, e que sobreviveu a todos. chegou ao ponto de avisar; atenção senhores passageiros, em caso de acidente fiquem tranquilos, ou a gente morre ou fica vivo.
de qualquer maneira posso sempre contar com a música. a confirmação da falta de tudo aquilo que sempre estarei cansado de saber e não lembrar.

Terça-feira, Fevereiro 22, 2005

o efeito estufa

falando sobre o clima com as velinhas das redondezas. aparentemente na época delas ( seja lá o que isso signifique) o sol era outro e os números eram mais amenos. a culpa é de todos e de ninguém; os nomes já conhecemos: poluição, trânsito, industrias, laque de cabelo, mata baratas, etc. quase acrescentei as flatulências à lista. mas o fato é que existe a clara noção de que estamos vivendo uma época de consequências.
aquelas simpatias em forma de pele enrugada sabem direitinho associar causas a consequências, ouvem e enxergam seletivamente ( a benção da velhice), e eu, quadradamente enganado me preocupando com o efeito do tempo sobre a humanidade. pois chegou a minha hora de concluir:
a causa incha e o efeito estufa.

a alma do negócio

e lá estava eu passeando pela fnac quando me vi sentado no banquinho em frente; eu estava escrevendo e tomando sol.
chegou uma viatura da polícia, desceram os dois capangas do estado e entraram apressados pela arquitetura envidrada e endinheirada da central de venda cultural. pois bem, para quem não sabe; a fnac consiste de uma grande caixa de vidro (imitação de um famoso museu francês), com escadas rolantes expostas por onde as pessoas desfilam seu consumo e inteligência, como formigas super dotadas. e eu vi tudo; os policiais escalando as rolantes como aquele joguinho do atari, os seguranças do prédio impedindo que os consumidores formigas subissem, um agito que prometia...
ai, após subirem os três veneraveis lances de escadas, a dupla de capangas capengas olhou ao redor, conversou entre si e desceu de volta.
eu, que ando vesgo, olhei para a viatura aberta, exposta a própria sorte. um menino de bicicleta pedalou desde a viatura até o sorveteiro a meu lado. juro para vocês que quando o menino passou por mim eu ouvi a alma dele fazer barulho.

Segunda-feira, Fevereiro 21, 2005

hoje eu não estou

passei lá fora, dei um tchau e fui comer na padaria. morri um pouco com a descoberta da relatividade mas isso foi também um pouco de renascimento e o elixir das gosmas confusas deu ao ar a graça.
geléia real, geléia real. 2 real a geléia real. um pote com 200 mililitro dá para 200 anos. não estraga, em compensação pode ficar mais relativa com a estabilidade do tempo. hoje o tempo foi cotato a 2,57 reais.
dobrei um papel 12 vezes e depois não consegui mais, na hora de reabri-lo fiz uma promoção: textos quantitativos por dois passes ou 1 real. cada palavra ficou com um pedaço do latifundio. a palavra pistoleira matou a palavra freira no descampanado de palavras chuvosas. quanta perspectiva que os olhos dão para o cérebro; um dia eu passo lá.

os erros da criação

definidos como a aplicação das idéias na realidade, os atos de criação desde muito antes do ano cristão de 2005, já eram a mais completa e absoluta merda.
falando da natureza; para que o sistema se mantenha é preciso que as particulas que o compôe se comam a todo instante. uma verdadeira correria pra não sair do lugar.
falando da humanidade; as pessoas vão, pensam, concebem, criam e ai o resultado é o mesmo; só se fodem!
criam a civilização e um come o outro; criam o amor e um come o outro; criam os restaurantes vegetarianos e mesmo assim um come o outro!!!
é óbvio que tem um lado bom disso tudo, as coisas continuam existindo e não dá pra uma pessoa querer ser mais importante que tudo e sobreviver ao contrato com os fatos.
mas que porra é que estavam fazendo deus e o diabo com minha coleção de playmobils?

Domingo, Fevereiro 20, 2005

mão única

um trompete quebrado é um violão amarrado. nenhuma causa pode ser dada como certa até que vejamos a diarréia da idéia subliminar. tomou veneno de rata e pastou como vaca até dar leite de cabra em pleno teatro. o fermento venceu a licitação das caixinhas de som do computador, agora quem grita pelos mendigos é o homem sentado à mesa.
quando sonhei com o carnaval 3 dias seguidos eu estava fantasiado de sentimentos e me entendi com o samba entre meus pés. desde que voltei reparei que estou vivendo todas as minhas encarnações, aos pedaços, nessa daqui. minha barriga está descalça no velório do vento. as narinas do vento estão com algodão, o terno do vento é um peru defumado, o que me deixa vesgo nessa história toda é que não acompanhei meu atropelamento no cortejo.
até quando assisti ao parto. entrei no quarto e a mãe parecia que me olhava, estava com os olhos fixados na minha direção e bufava um mantra ou uma maldição, vou descobrir depois. mas quando peguei a causa dando para a consequência... ai sim camuflei o tesouro nos pneus e promovi o fogo a espírito de lógica.

postas de pensamentos

discussão na rua, a janela de um apartamento em reforma quase cai na cabeça do transeunte. o conserto não deu certo.
praça arborizada é outra coisa, um camundongo passou e conseguiu se esconder, todo mundo viu mas não houve porquê comentar. só uma criança se cagou nas fraldas e ainda ouviu da mãe que se chorasse, apanharia.
o sol diminuiu minha já diminuta percepção do que era gente e do que era música por lá. O concerto não deu certo. ai eu estava escrevendo, misturando realidade com ficção e passou um demônio dizendo que há tantas meias verdades no mundo quanto há meios puteiros. fiquei no meio fio e nunca mais vou usar meias.
vou autenticar meu divórcio com a rudeza da fome. agora só lido com palavra que possa ser comida.

tem uma fantasia no meu quarto

a fantasia teve um filho bem no seminário do horário de verão. foi uma hora dúbia para entender a incompreensão. os dinossauros desviaram o trânsito para os livros e a cabeça da taturana não queimou a árvore.
o filhote de político elogiou os defeitos da ovelha!!! cantou my way no banho e ai lembrou que não estava no banho, estava num estádio comendo amendoins...
pois bem, a fantasia está dormindo, não vou falar alto para não interferir nos sonhos dela, amanhã a gente toma um café demorado, debate a ilusão e quebra umas garrafas na cabeça dos golfinhos.
vou me engalfinhar com ela...

Sábado, Fevereiro 19, 2005

devagar e sempre ou rápido e nunca.

meu caso de amor com as palavras está por um fio. não foi o caso de traição nem de discussões antes de dormir pela louça suja ou pela tampa da privada. foi mais o desgaste dos anos. desde que fui alfabetizado não houve um só dia em que não nos encontramos, foram tantas baladas, escritas, faladas, pensadas. aprendi a confiar nelas e elas me fizeram feliz. parecia que só com elas é que eu conseguia expressar o que estava sentindo; e foi ai que deu merda.
chegou um dia (ontem), em que notei claramente uma tendência que tinha se mudado pra casa ao lado; as palavras não estavam mais satisfazendo minhas necessidades e eu, intrinsicamente/sociologicamente; semioticamente/idioticamente/ também não estava degustando todo o prazer da nossa relação.
e agora estou aqui, tentando trai-las com esses desenhinhos organizados que me lembram muito elas, no cheiro, no sexto sentido e na cor.
mas não têm nada a ver com querer dizer nada. são outros planetas.

as ilhas

já acreditei em papai noel, em coelinho da páscoa, em partido político, em amor a primeira vista, a segunda e a terceira também; que o homem pisou na lua, que ler faz bem, que exercício faz bem e que cigarro faz mal. já acreditei nos amigos, nos inimigos, na moral e nos bons costumes e nos desenhos animados. já depositei fé na natureza, forças ocultas, deuses e deusas, magnetismo e no destino e ai também foi o caso do acaso.
já acreditei no bobo dylan e no homer simpson, no futebol brasileiro, nas palavras e nas listas e catálogos; que enfim, só me fizeram catar mais devagar as borboletas mutantes, nas quais também já acreditei mas que agora são só uma refêrencia para todo o tipo de idiotice que encontro na cara das pessoas.
como estou falando das coisas nas quais acreditei pode ser que o caro espectador seja levado a crer que não acredito em mais nenhuma dessas coisas. pode até ser, mas também aqui nessa ilha, de que importa?
e mais uma coisa, já acreditei no engano também.

pardal

não tenho mais nada a acrescentar, é por isso que vou continuar preso no meu cérebro.
a noite cuspiu a lua; a lua, por sua vez, espirrou as estrelas, elas me sopraram as luzes e as luzes me bateram com a noite.
quando um cão rosna, será que ele sente alívio? não posso afirmar categoricamente nada, então vou dando caneladas nas verdades procurando secar o barro. um chapéu para meu cérebro careca que está perto, muito perto, da arapuca.

Segunda-feira, Fevereiro 14, 2005

frases do caderninho

centopéia religiosa crê em todos os passos.

maus bocados, dentadura nova.

vi um elefante no meu joelho.

tem vezes em que não concordo com meu pensamento.

poluição, fagocitose, lactose, verduras.
ponte, garfo, coração, relaxamento.

se eu não usar rélógio pode não ser perda de tempo.

ouves vozes vezes vozes vezes ovos vezes deves

descobri!!! sou um encosto da outra dimensão! sim, tem um enconto no mundo pararelo torto que está angustiado de me ouvir falar coisas pra ele. e pensar que fiquei esse tempo todo achando que as merdas da minha vida eram obra do acaso...
o coitado do pobre diabo que me dá ouvidos está surtando. pediu ajuda pra macumbeiro, pra terapeutas e pra instituições mas não vai se livrar de mim não. daqui eu não saio, daqui ninguém me tira. agora só falta descobrir como evitar que o tal do encosto não se mate, pois ai eu ficaria sem apoio espiritual para atuar no outro mundo e seria só uma alma vagando por ai, imagine se eu arranjo um endereço virtual e começo a escrever?
mas eu ainda tenho aquele azul que você me deu.

Sábado, Fevereiro 12, 2005

ei! quem mandou?

eu pergunto: tem mais alguém aí? porque há vezes em que parece que não estou só. a boca tem vontade própria? é possível mandar só algumas partes do corpo pro manicomio? tem como mandar o cérebro prum circo? e aquela maldita sensação de que o mundo é algo pra ser ignorado? dá pra ignorar?
quem manda em mim? o coração do meu coração tem ódio no coração. ele também ama, mas não sabe a diferença entre uma formiga e um tamanduá, dá a maior bandeira.
e quem mandou eu assistir tanto filme?

Sexta-feira, Fevereiro 11, 2005

imoral da história

estou de regime. vou ficar um mês sem falar para ver se emagreço.

é tudo uma questão

imagine que não sei mais pra onde fica a direita e pra onde vai a esquerda; ontem mesmo eu estava crente que tinha limpado o quarto quando vi que tinha sujado a sala. imagine só que pensei que o banco já tinha feito o débito automático da minha conta de luz e quando fui ver lá estava eu entregando minha senha para um estranho.
o relógio comeu meu pão e a mesa comeu o relógio.
mas tudo bem, ajeitei a jaqueta e fui caçar a fronteira.

cuidado com o gelo

imagina você que o poste teve a cara de pau de me pedir pra não dirigir?
e que a escola de samba desfilou de ponta cabeça!
fiquei tão inseguro com o gelo quebrando que pensei que era o mundo desabando.
então não sabia mais o que fazer.

Sábado, Fevereiro 05, 2005

poeminha e sua

uma hora demora uma hora para demorar
a polvora

Terça-feira, Fevereiro 01, 2005

o assassino e a conclusão

(após ler em um caderno da café flor)
bzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz!!!

Segunda-feira, Janeiro 31, 2005

- coração anoréxico -

.
subsidio ao calor entubado. ( como quando financiamos o aquecimento de alguma coisa fechada, pode ser em nós mesmos, pode ser num laboratório)
embargo da carne. ( como quando proibimos algo que vai apodrecer de circular)
será que era a alma sentido calor dentro do corpo? os pequenos poetas com idéias menores. não servir nem para entretenimento.
como um forno de pizzas, um bêbado caindo da cadeira, um rasgo na calça...
"untrue"
a moral da história está cada vez mais baixa. a imunidade nas nuvens( como estar imune nas nuvens). fones de ouvido estão quebrados e vomitando os sons da histeria com amnésia. ( chiando durante a música) vamos deixar assim; nesses tempos os verbos estão intransitáveis
.

Quarta-feira, Janeiro 26, 2005

homem das cavernas

apesar de sempre ser possível dizer que é um equívoco, vamos lá.(...)

descobri que além de tantos outros, há pelo menos dois de mim no mundo. Acaba de ficar claro, tão claro quanto ser 2 e ter 4 olhos.(#)

sou um que fuma e outro que não fuma. é bem provável que nos subdividamos ( meiose, rexona)

e dentro do que não fuma há um que fuma e outro que não fuma; assim como pode haver no que fuma, ilegível pela fumaça, um que definitivamente não fuma.(&)

quem sabe até o que fuma em um, não fume no outro. Os que pararam de fumar e aqueles que ainda irão fumar... de que adianto nisso tudo?; diria o polvo renegado olhando seus tentáculos se moverem, como se cada um estivesse infectado por um mágico diferente. (" ")

chega a ser uma espécie de compulsão já que tenho que fazer tudo pelo menos duas vezes; uma vez como fumante e outra vez como abstêmio.(*)

comer, escrever, uivar. a retidão de um carater dúbio são duas retas pararelas. (!)

sim, a chuva massageia meu eu social. (!)

na minha casa tem uma esquina e nessa esquina eu sou uma puta (?)


Terça-feira, Janeiro 25, 2005

animo anônimos atônito antônimos

animo: falando pra todos, falando pra ningúem, o sal e o açucar, o dia e o trem.
agora permito comentários anônimos no blog
atônito: atropelei um buraco com meu carro, fiquei sem gasolina, tentei ponderar com a chuva mas ela estava deveras instável.
antônimos: cheguei em casa, abri a porta e pisei direto na conta do telefone. 130 reais e mais alguns imaginários.

Sábado, Janeiro 22, 2005

relativismo egocêntrico

o horizonte tem fases, como a lua.
os amores têm a praia toda para atravessar, como as tartarugas recém nascidas.
entre eu e meus pensamentos as palavras; da mesma forma que entre as palavras e os pensamentos, eu.
encomendei uma alma, deve chegar em 2 semanas.

Quinta-feira, Janeiro 20, 2005

cadê o meu melão 2

perdi o meu melão! Ele estava sobre meu pescoço, atende pelo nome que for chamado e está descalço. carrega uma bina de telefone e um cartão de seguro desemprego.
por favor não o iludam nem puxem seu freio, ele está para descobrir a antártida e casar com uma multinacional.
se parecer possuido por qualquer outro vegetal, legume ou fruta tentem estalar os dedos que é capaz de funcionar.
em todo caso, se falarem com ele antes de mim, digam que já reservei o lugar dele na mesa.

o que eu fiz com meus sentidos hoje

14:30. escovar os dentes. espirrei pasta no olho.
15:00. passar perfume. mirei errado. espirrei perfume no olho.
15:30. limpar os óculos, ensaboar as mãos. espirrei sem aviso. espirra sabonete no olho.
hoje o dia espirrou o sol nas nuvens e por alguns momentos fiquei receoso de fritar os filés de frango, pensei em fazer um macarrão mas me animei com um rizoto. lavei as panelas.
uma inseta verde botou ovos no vão da janela do meu quarto.
escutei uma galinha d'angola gritando, um helicóptero sobrevoando e um vizinho chorando.
senti o cheiro do computador, cheiro de cerveja e cheiro de papel queimando.
mas afinal limpar a vista

Sábado, Janeiro 15, 2005

esvaziando o coração

isqueiro velho, caixa de sapato, outros carnavais; foi numa rápida olhada, consequência de um pensamento demorado que observei a necessidade da evolução.
hoje é aniversário do passado! vai até haver festa. eu estava pronto para tomar um sorvete na ocasião, mas agora mudei de idéia e vou ajudar meus fantasmas a fugirem.
vou escrever para todo mundo.
agora vamos chamar o manicômio de quarto, o quarto de posto de gasolina; a rua de dicionário e o zoológico de teatro. vou trabalhar no boteco, já volto.

Segunda-feira, Janeiro 10, 2005

água na chaleira

estava na padaria e escutei um passarinho enlatado piar de dentro da lata de atum.
do outro lado da rua os manifestantes jogavam detergente nos membros do partido.
no sobrado ao lado as moças, escutando música, gesticulavam para as cerejas na árvore.
cutucava uma espinha no ombro enquanto olhava pela janela, o sol não deixava olhar muito para cima e tentava arrumar a armação do óculos; apesar do sol era meia noite em minha mente que pedia por um chá para inundar uma dúvida filosófica. afinal, eu estou mais perto de ser um homem ou um macaco?
já de dia em minha consciencia e de noite na cidade, ainda muito acalorado, sai para passear pelas agradáveis ruas de Pinheiros na madrugada de segunda feira; isso é o que os macacos e os humanos têm em comum, sempre podem andar por ai.
e esqueci da chaleira no sol, evaporando.

Sexta-feira, Janeiro 07, 2005

a noção de causa e consequência

Sentindo-me azul. Pois não é que fui acusado de viver em nosso satélite natural mais uma vez...

Terça-feira, Janeiro 04, 2005

prendendo a respiração

(não necessariamente nessa ordem)

um carro na contramão.
três bolas encaçapadas na seqüência.
menino folgado.
cervejas e papos.
recomendações e livros.
óculos.
final inesperado.

Segunda-feira, Janeiro 03, 2005

entulho volúvel

encontrei 2005 escondido sob os escombros.

vi que a coisa não vai ser fácil quando começaram a falar em coalizão para ajudar o sul da Ásia; vêm ai a onda da guerra a onda.
um minuto de silêncio e quantos outros de estupidez, nove, oito...
os prefeitos eleitos tomam posse, champagne e nosso dinheiro.
procurei as armas do povo e tudo que achei foi um caixão e uma dívida.
os fogos me engoliram numa emoção barata e esfumaçada.
Caim bebeu o sangue do irmão pensando tratar-se do ano velho.
o que vêm fácil, vai fácil; mas e o que vêm difícil?

a parede me deu as costas.

Domingo, Dezembro 26, 2004

meus vizinhos átomos

ficaram perplexos ao ouvirem a estória do elefante que deixou a tromba cair no mel.
deixaram um planeta inteiro engordar de pensamentos gordos.
lançaram uma campanha para desmoralizar os muros.
ouviram uma cachoeira criar um unicórnio leproso.
mascaram todo o sistema eleitoral da américa.
incluiram meu nome em algumas listas.

interatividade tatu

um filé de pescada falou comigo através da fritura do óleo.
jantei nossa conversa com batatas assadas na manteiga.
um intruso ameaça a ilha de Cuba, um frango castra um boi.
a foto de comida me deu fome da saudades.
não era nem dúbio, nem nublado. estava era sendo dublado por si mesmo.
bati o carro com clara de ovos e untei meu corpo com sangue.
a psicopatia do sujeito designado apresenta, estranhamente, o aroma de bolo de laranjas.
no outono, lavadas no vinagre, com a perna quebrada, cutucando o penúltimo dente com chiclete.
e justo hoje o mercado estava fechado.

Quarta-feira, Dezembro 22, 2004

Promessas e outras

Fui virar o disco e sem querer virei a mesa junto, a mesa caindo virou o ano junto e papai noel teve que se contentar com o presente molhado de coca cola que eu tinha gravado. uma coletânea de promessas musicais sobre tempos melhores ou piores, sobre a vida e a morte. o limbo e o sujo...
tenho aqui, em minhas mãos sem jeito a resolução definitiva para 2005; escrever socialmente e beber as angustias.
ou será que era acender os moinhos e enfrentar as velas?